Te convido a ser meu passageiro.
Esta é a estrada que percorri até aqui: de um curso no centro comunitário do bairro vizinho até as empresas que fundei. São mais de 15 anos de caminho, com onze paradas que mudaram tudo. Aperte o cinto. Eu dirijo.
Ganhei meu primeiro computador aos 13 anos. A curiosidade foi tanta que desmontei a máquina inteira para ver o que havia lá dentro.
Quando meu pai voltou do trabalho e viu as peças espalhadas, foi bem direto: era melhor eu montar tudo de volta, e seria muito bom para mim se ele funcionasse. Aquele computador tinha custado muito caro para a família, e eu sabia exatamente o que me esperava se não ligasse: o chinelo.
Não existe motivação melhor do que essa.
O computador ligou. E eu aprendi, na prática, como cada peça se encaixava.
Ali descobri que tinha vocação para tecnologia. O passo seguinte foi um curso no centro comunitário do bairro vizinho, e a partir dele fui entendendo, aos poucos, as complexidades do mundo da informática e dos hardwares.
Depois de estudar mais sobre informática em geral, virei o cara que formatava os computadores dos amigos e da família. Logo passei a arrumar também impressoras e máquinas de conhecidos, e foi assim que comecei a ganhar meus primeiros trocados.
Na escola, eu já ajudava alguns colegas com os computadores deles. Cada máquina que chegava era um problema novo para resolver.
Ao mesmo tempo, eu jogava Ragnarok Online de forma competitiva. Foi ali, sem nenhuma apresentação formal, que encontrei o desenvolvimento de software: comecei a escrever scripts que mudavam a aparência e o comportamento dos personagens naquele mundo digital que eu já conhecia tão bem.
Tudo o que eu aprendia vinha dos fóruns da época. Por ser um jogo asiático, o material era escasso e cada avanço custava muito. Eu juntava pistas de um tópico e de outro, testava, errava e tentava de novo até funcionar.
Quando descobri que aquilo tinha nome, programação, e que dava para viver disso, me dediquei a me tornar profissional o mais rápido possível.
Foi a partir daí que tudo começou.
Minha entrada na área foi em 2010, como analista de sistemas de T.I. em um grande operador portuário. Ali vi de perto como a tecnologia sustenta uma operação grande de verdade.
Depois vieram uma empresa de serviços de TI e uma software house especializada em ERP, onde passei a programar sistemas de gestão em ASP.NET MVC. Foi o começo da minha trajetória com .NET, que se tornaria a base da minha carreira.
Estudei muito para o ENEM e conquistei uma bolsa integral para cursar Tecnólogo em Sistemas na UNIP. Era a porta de entrada para a universidade que eu buscava.
A rotina não era fácil. Ainda no primeiro semestre comecei a trabalhar em Santo André, no ABC Paulista, enquanto morava no Guarujá e estudava em Santos.
Na prática, eu saía de casa cedo, no nível do mar, e subia a Serra do Mar até o trabalho, no planalto. Depois do expediente descia a serra de volta para a faculdade, e só então voltava para casa, tarde da noite. Todos os dias, debaixo de sol e de chuva.
Minha família sempre me apoiou e me deu força nesse período. E foi na faculdade que conheci minha esposa, a mulher que me ajudou a construir toda esta estrada.
Me formei em 2014, e no caminho vieram também as certificações Microsoft, como Microsoft Certified Professional e o título de especialista em HTML5, JavaScript e CSS3.
Nunca parei de estudar. Fiz um MBA em Arquitetura de Soluções na FIAP (2016–2017) e, anos depois, um MBA em Gestão de Projetos pela USP/Esalq (2022–2023).
Num instituto de tecnologia da informação, migrei sistemas legados em Windows Forms para a web. Em seguida, numa empresa de desenvolvimento de sistemas, entrei também para treinar o time e melhorar a forma de trabalhar.
Numa consultoria de tecnologia, como consultor .NET, assumi projetos críticos e desenhei uma arquitetura multitenant que atendia mais de 48 países, com pipeline automatizado. Foi aí que a arquitetura de software virou o centro do meu trabalho.
Passei ainda por uma consultoria de software, construindo microsserviços no Azure, e por Sydney, na Austrália, onde liderei a plataforma web de uma startup com foco em geolocalização.
Durante o MBA, notei uma carência enorme de pessoas com habilidade técnica que também soubessem falar de negócio e traduzir os problemas da empresa em tecnologia. Vi ali uma oportunidade: ser essa interface entre tech e business, e transformar isso num negócio que pudesse escalar.
Foi assim que, em agosto de 2015, fundei minha empresa de engenharia de software, que sigo conduzindo até hoje. A ideia era cocriar produtos junto com os clientes, com métodos ágeis, para que cada projeto gerasse retorno real.
Programar me ensinou a resolver problemas. Empreender me colocou diante de todos eles ao mesmo tempo. Como programador, eu respondia pelo meu código. Como empreendedor, passei a responder por tudo: clientes, equipe, entregas e contas.
No começo, nem parece uma decisão sensata. Você troca a segurança de cuidar de uma parte pela responsabilidade de cuidar do todo, e precisa estar à frente de cada detalhe para que nada falte.
Quem empreende é o primeiro a servir a própria empresa.
Em 2017 executamos o projeto da Zona Azul de São Paulo, em parceria com a CET. Um sistema construído por nós passou a fazer parte da rotina de uma das maiores cidades do mundo.
Na mesma época assumi outros desafios como CTO. Numa plataforma de força de trabalho sob demanda para serviços de campo, construí o back office em cinco meses e escalei o sistema para acompanhar centenas de profissionais em tempo real. Em 2018, fui CTO de um marketplace de revenda de GLP. Mais tarde, cofundei uma health-tech e levamos a ideia a um MVP funcionando em menos de quatro meses.
Em 2022 decidimos levar a empresa para os Estados Unidos. A ideia era diversificar o câmbio e entrar num mercado em ascensão. Faltava escolher a cidade, e essa decisão não foi minha: minha esposa ama a Disney e escolheu Orlando, na Flórida. Como sempre dizem, happy wife, happy life, e contra essa lei eu não pude argumentar.
Com essa nova frente, logo surgiram as primeiras oportunidades. Liderei o desenvolvimento de uma rede social privada para a Casa Branca, destinada aos membros do Capitólio americano.
Do menino que mudava personagens num jogo online a um sistema usado no centro do poder americano: a curiosidade era a mesma, só a escala mudou.
A empresa de engenharia de software que fundei em 2015 segue firme e continua crescendo, no Brasil e nos Estados Unidos.
Foi por ela que, em 2025, redesenhamos, em 2 anos, uma solução completa de previdência privada que carregava mais de 30 anos de legado. É o tipo de desafio que junta tudo o que aprendi: arquitetura, negócio e a paciência de entender sistemas antigos por dentro.
Hoje moro em Orlando, na Flórida. No mesmo ano me tornei cofundador de uma empresa criada para preencher uma lacuna na automação residencial de alto padrão. Criamos um modelo padronizado de instalação e entregamos casas onde o cliente controla iluminação, sensores, climatização e segurança em uma única interface.
De certa forma, é o mesmo menino que arrumava computadores dos vizinhos: agora a máquina é a casa inteira.
Mais de 15 anos buscando ser um profissional de excelência. Este foi um EU. As próximas versões vêm aí.
Obrigado por vir no banco do passageiro. A estrada continua.